Se for possível, afinal…

Sou católica (não muito convicta, confesso) mas todos os anos de ensinamentos cristãos acabaram por criar raízes,  e um pouco de confusão também. Já adulta busquei ajuda na terapia; quando você tem mais perguntas que respostas fica difícil conviver consigo mesmo (tem um pleonasmo aqui, né?!) e a ajuda tem sido válida. Entre dias de alívio profundo pós sessão soma-se o dia seguinte de testes de paciência e cristandade. Nem estou falando do tal “dar a outra face” porque esse ensinamento  nunca seria aceito por uma taurina. Ignoro tal orientação solenemente; falo mesmo do ser caridoso, perdoar o erro do outro, ser amável e por aí ladeira abaixo. Mais alguém já notou que quanto mais você é caridoso e amável e quanto mais chances de perdão sincero  você concede aquele espírito de porco que só mesmo Deus para explicar o que ele faz na sua vida (Freud não é capaz) mais você precisa se esforçar para seguir sendo amável, amigável e essas coisas.

Tem coisas (ou seriam pessoas) que não tem conserto, que nunca vão rever suas atitudes, que nunca vão trata-lo melhor ou pensarem em algo além dos seus umbigos. Gente que  jamais facilitará a aplicação dos tais conceitos de bondade e bla bla bla. Numa horas dessas acho que tudo o que aprendi é um pouco contraditório, vida em abundância não me parece ser viver com uma vontade enorme de meter a mão na cara de um ser para qual não encontro palavras para definir. Muito menos me parece que a tal promessa de vida em abundância se assemelhe a você voltar para casa pior do que saiu. Se Deus me ama tanto, ele quer mesmo que eu passe por mal bocados à mercê da loucura ou maldade de alguém?

Um dia ouvi Padre Favo de Mel  Fábio de Melo dizendo algo sobre não desejar o mal a ninguém mas não ser obrigado a conviver com gente que te suga a paz. Me lembro agora do …se sua mão esquerda faz você pecar arranca-a fora… (algo assim). Isso sim me parece algo que se aplica a vida prática. Tem coisa melhor do que retirar a sua vida alguém que você não quer lá? (desejos assassinos não vale) equivale a tirar aquele sapato de salto pós festa baladeira.  Brincadeira, falo de não ver, não ter notícias, de agir como se não existisse. Chego a suspirar ao me lembrar disso, que delícia de sensação, que vontade de assobiar Dancing in the rain. E isso não é lago para chocar ninguém, um monte de gente faz isso mas como ficou acertado de que é errado (oi?) então ninguém conta. E que ninguém esqueça de Cleo Pires e Fábio Jr., só pra citar o que primeiro me veio à cabeça.

Eu não tenho a menor ideia se você ainda está lendo esse texto, se achou que tudo isso faz algum sentido ou se ficou com medo de mim (rs.) mas uma coisa eu digo, as pessoas que retirei da minha vida nunca me fizeram falta, não fiquei isolada no mundo por isso como minha mãe temia; ao contrário tenho amigos maravilhosos de longa data, gente que amo e que me ama, ótimos colegas de trabalho e de quebra alguém com que divido a vida da melhor maneira que poderia imaginar. É simples explicar tudo isso, quando você está bem você atrai gente do bem e um monte de coisas boas. Agora se prefere seguir a risca os ensinamentos da Tia Fulana da catequese faça se for possível, afinal.

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